Gillan Flynn
Editora: Intrínseca
Página 448
Skoob
Narrativa inteligente, personagens nada empáticos...
Garota Exemplar foi um livro que cobicei tanto! Tentei em sorteios e propus trocas de até dois livros por ele (nenhum sucesso). As resenhas me deixavam curiosa, ansiosa por descobrir o que envolvia o casal Nick e Amy.
A história é dividida em duas partes. A primeira nos conta sobre o desaparecimento de Amy no dia do seu quinto aniversário de casamento. A sala da casa revirada, uma suposta briga e presença de manchas de sangue na cozinha, detectadas pela perícia, sugerem um assassinato ou um possível sequestro. O que aconteceu com Amy?
O marido, Nick, sofre, colabora com a polícia, recebe muita atenção da irmã gêmea e os pais de Amy o apoiam. Mas aos poucos as pistas se voltam contra Nick...
A narrativa intercala as falas de um Nick angustiado e de Amy (através de um diário).
Na metade do livro há uma reviravolta na trama e não posso comentar, pois é spoiler certo. Aqui começa a segunda parte. O problema é que essa virada não dá um gás à trama, mas deixa o leitor curioso para descobrir do que se trata e por qual razão, infinitos porquês que se sucedem.
Os pais de Amy são dois perturbados à parte, que fizeram fama e dinheiro às custas da imagem idealizada da filha, numa série de livros chamados ‘Amy Exemplar’. Amy cresce com essa pressão da personagem na sua vida, pois a Amy dos livros é certinha e toda uma geração leu avidamente cada livro publicado...
O casamento é dissecado pela autora, que examina o desgaste de uma relação, os conflitos que um casal enfrenta e como varrê-los para debaixo do tapete pode levar a situação a extremos. As palavras caladas que suscitam interpretações equivocadas, as insatisfações guardadas, questões mal resolvidas que vão construindo uma relação de codependência doentia.
Apesar de ter uma escrita inteligente, personagens bem construídos e uma trama surpreendente, o livro não me conquistou. Parece que estava sempre à distância da história, ela não ‘aderiu’, não sensibilizou, não despertou nenhum sentimento em mim. Senti-me como uma pesquisadora da loucura alheia, só percebendo as personagens e medindo seus potenciais psiquiátricos, prestes a recomendar um remédio para transtornos de personalidade. E uma vontade imensa de sacudi-las!
Experimentei algo diferente com esta leitura. Algo de certa forma contraditório: nenhum envolvimento com as personagens, o que considero péssimo. Mas muita admiração pela habilidade da autora em desnudá-las e mostrá-las como são, tão humanas como eu ou você, com manias, neuroses, psicoses e mundo psiquiátrico adentro... Um leitor que trabalhe com a mente humana vai se deleitar com os perfis criados, certamente.
Dúvida para classificar em 3 ou 4 estrelas... Como considero 4 estrelas um livro 'muito bom', levo em consideração aqui a escrita criativa da autora, a construção impecável das personagens, a trama recheada de reviravoltas. Mas daria 3 estrelas para meu envolvimento com Amy e Nick, personagens principais do livro e empatia com o leitor. Não acho que a história deixou alguma 'marca' em mim, não provocou qualquer sentimento positivo.
Selecionei trechos da leitura que julguei interessantes – frases que me despertam algo especial são sempre anotadas:
‘Tenho certeza de que ele dizia a si mesmo: nunca bati nela. Tenho certeza de que por causa desse detalhe técnico ele nunca se considerou um agressor. Mas ele transformou nossa vida familiar em uma interminável viagem de carro com placas erradas e um motorista tenso de fúria, férias que nunca tiveram chance de ser divertidas.' (p. 72)
'É uma coisa muito feminina, não é, pegar uma noite entre rapazes e piorá-la até transformá-la em uma infidelidade matrimonial que irá destruir nosso casamento?' (p. 83)
'O amor faz você querer ser um homem melhor - certo, certo. Mas talvez amor, amor de verdade, também lhe dê permissão para ser apenas o homem que é.' (p. 169)

Espero que gostem da resenha da Manu, a nova colunista aqui do blog! Bem Vinda flor!!
Em breve uma apresentação decente sobre a Manu! beijos!!

Prazer, me chamo Tahis, 25 anos, Rio de Janeiro. Apaixonada por livros, Harry Potter, romances, filmes e séries. Leitora assídua, vive no mundo da lua, com lindas histórias de amor na bagagem. Ama escrever sobre os livros lidos e compartilhar as histórias mais apaixonantes. Bem vindo ao meu cantinho!
